FELIZ NATAL

Al Ahli FC paga ao Vizela transferência de Lima do Benfica

Clube dos Emirados Árabes Unidos foi obrigado pelo TAS/CA-Tribunal Arbitral Du Sport a pagar ao Vizela perto de 15 mil euros por meio ano de formação de Rodrigo Lima, após transferência do jogador do Benfica para o Al Ahli.

Lima é dos melhores amigos de Cláudio. Aqui numa foto com o jogador do Vizela e outros vizelenses.
Apesar dos sucessivos apelos (por correspondência), do Vizela, o Al Ahli FC não cumpria, por vontade própria, a sua obrigação de pagar a percentagem referente à formação do jogador.

O avançado brasileiro (agora naturalizado portugês) representou o Vizela na IIB, de dezembro a maio da época 2003/04, orientado pelo treinador José Garrido, com apenas 20 anos de idade. Lima fez sete jogos sem ter marcado qualquer golo. Regressou ao Brasil por não se adaptar ao futebol da II Divisão.
Voltou a Portugal emprestado pelo Avai ao Belenenses e daqui partiu para Braga onde jogou duas épocas e meia. Os bracarenses venderam o jogador ao Benfica. O Vizela recebeu cerca de 20 mil euros nesta transferência entre os dois clubes portugueses pela formação do jogador. Pagou o Braga.

Lima cumpriu três épocas de ouro no Benfica que o vendeu ao clube árabe por sete milhões de euros. Mas o Vizela ficou sem a sua parte. O Benfica remeteu a responsabilidade do pagamento da verba em falta para o Al Ahli mas este clube, apesar de riquíssimo, foi ignorando os apelos do Vizela.
Perto de um ano depois, o TAS obrigou o faltoso a pagar 15 mil euros ao clube nortenho tendo ainda lhe aplicado uma multa de cinco mil euros como ajudas de custo do processo.
Eduardo Guimarães, presidente do Vizela referiu que o valor em causa é uma verba importante para um clube pequeno e com poucos recursos financeiros".
Depois de receber esta verba, o Vizela espera agora ver resolvido um diferendo antigo com o Vitória de Guimarães sobre a transferência do avançado Ricardo Gomes.
O clube vizelense reclama 75 mil euros do jogador formado nas suas escolas (emprestado ao Nacional) e que o Vitória se recusa a pagar.
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O QUE VEIO NA IMPRENSA
 “A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, em cumprimento do disposto no artigo 248º do Código dos Valores Mobiliários, informa que chegou a acordo com o Al Ahli Football Club Dubai para a transferência a título definitivo dos direitos desportivos e económicos do atleta Rodrigo Lima, pelo montante de € 7.000.000 (sete milhões de euros).”
De acordo com o artigo 21.º do regulamento FIFA sobre o estatuto e a transferência de jogadores, que entrou em vigor em Julho de 2005, os clubes formadores têm direito a uma percentagem de 5% sobre todas as transferências internacionais.

ENTREVISTA DE LIMA AO EXPRESSO
(...) Como é que foste parar ao Vizela em 2003/04?
- Tinha 19, 20 anos. Foi uma experiência, não fui feliz como queria. Era muito novo e era uma competição muito exigente, a 2ª Divisão B. Foi difícil mas uma boa aprendizagem para a minha vida, porque saí sozinho do Brasil e cresci como homem.
- Lavavas, cozinhavas e engatavas umas miúdas?
- [risos] Não, quando vim para Portugal já era casado, tinha uma vida tranquila. Quer dizer, a segunda vez que vim, para o Belenenses.
- Mas no Vizela não.
Aí era solteiro, sim [risos]. A gente tinha de se divertir para tentar esquecer as dificuldades, então acabava encontrando amigos e amigas e tal.

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SITE DESPORTO
 É o homem do momento no Benfica neste ano de 2013, porém a sua primeira passagem por Portugal foi bem diferente.
Umas imagens em vídeo de um jogador brasileiro mostradas por um empresário convenceram o treinador do Vizela, José Garrido, em dezembro de 2003 a pedir ao seu clube para que contratasse aquele avançado.
Uma passagem amarga de Lima por Vizela
Com apenas 20 anos, o desconhecido Lima saía do Paraná para atravessar o Atlântico e mostrar o seu talento em Vizela, cidade e clube que não conhecia, mas que lhe dava oportunidade de jogar na “Europa do futebol”.
José Garrido, agora a treinar no Kuwait, lembra-se bem da história e contou-a ao SAPO Desporto.
«Eu vi algumas imagens do Lima trazidas por um empresário. Quando vi o jogador, pensei imediatamente que seria alguém que se poderia impor no futebol português. Um jogador rápido, que rematava de pé direito e pé esquerdo, inteligente nas movimentações em direção à baliza. Em suma, um jogador bastante interessante. Daí nós temo-lo contratado», contou, buscando os factos por entre as memórias.
Talento não faltava a Lima, mas a jovem idade condenou-o ao insucesso. Era a primeira vez que saía do seu país e parecia não estar preparado para tal. O seu antigo treinador não tem dúvidas que isso esteve na base da sua não afirmação no nosso futebol.
«O único senão que levou o Lima a não se impor no Vizela foi o facto de ter vindo muito jovem. Ele veio em dezembro, teve pouco tempo de adaptação e no final da época acabou por regressar ao Brasil. Era um excelente jogador e homem, mas não lhe foi dado tempo», explica.
Foi embora Lima para o Brasil e foi embora também o treinador José Garrido para uma experiência na Malásia. Cerca de dez anos se passaram e hoje, como naquele tempo, mantém a afirmação: «Não me enganei ao ir buscá-lo».
O sucesso no presente 
Hoje, o técnico, que enquanto jogador passou pelo Benfica, vê com alegria o estatuto que Lima conseguiu alcançar logo na sua época de estreia pelos encarnados.
«Não estou admirado porque no seguimento do que já tinha feito Belenenses e Braga, era óbvio que podia alcançar este estatuto como alcançou. E olhe que não é fácil chegar ao Benfica e impor-se como ele o fez».
E a seleção portuguesa aqui tão perto 
Com 29 anos e já com dupla nacionalidade, José Garrido considera que Lima poderia com toda a legitimidade entrar nas contas do selecionador Paulo Bento nos encontros para a qualificação para o Mundial 2014.
«Se já tem nacionalidade portuguesa, penso que já deveria estar entre as opções para ajudar a nossa seleção. Se já o fizeram com outros jogadores, não vejo nenhum motivo para não o fazer com o Lima. Atendendo à qualidade que mostra no Benfica, penso que é um jogador que poderia ser selecionado. Agora tudo depende de Paulo Bento», concluiu.