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Hospital de Guimarães tratou dois doentes com aneurisma

A correção endovascular de aneurisma da aorta abdominal em rotura é uma técnica complexa, mas tem largas vantagens em relação à cirurgia convencional; entre essas vantagens está uma redução significativa da mortalidade. Dois doentes já foram tratados com sucesso no Hospital de Guimarães.


O Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Guimarães deu alta recentemente ao segundo doente tratado por correção endovascular de um aneurisma da aorta abdominal em rotura. Apesar da complexidade acrescida desta técnica, ambos os casos foram tratados com sucesso.

O aneurisma da aorta abdominal (AAA) é uma dilatação da aorta abdominal com um diâmetro igual ou superior a 3 cm e tem indicação para tratamento, pelo elevado risco de rotura, quando o diâmetro é superior a 5,5 cm. A prevalência de AAA é de 4% a 9% nos homens e de 1% nas mulheres. A maioria destes aneurismas é assintomático, muitas vezes são diagnosticados acidentalmente por métodos de imagem. Todavia, a rotura deste aneurisma está associada a elevada mortalidade, na ordem dos 80-90%.

O cirurgião vascular do Hospital de Guimarães, João Correia Simões, refere que «atualmente existem duas opções de tratamento de AAA: a cirurgia aberta convencional e a correção endovascular – EVAR (endovascular aneurysm repair). Na correção endovascular corrige-se o aneurisma colocando no seu interior uma prótese através das artérias femorais com uma pequena incisão femoral ou mesmo punção sem incisão cirúrgica. As vantagens do EVAR face à cirurgia aberta incluem redução do tempo operatório, menor agressão cirúrgica, menor dor pós-operatória, tempo de internamento hospitalar reduzido, menor necessidade de cuidados intensivos, redução da perda hemática e redução da mortalidade operatória. O EVAR em contexto de AAA em rotura denomina-se de r-EVAR».
O primeiro caso de r-EVAR no Minho foi realizado no Hospital da Senhora da Oliveira em fevereiro deste ano. Foi tratado um homem de 72 anos, com AAA roto, com antecedentes de diabetes, hipertensão arterial, doença coronária e insuficiência renal. O r-EVAR decorreu sem intercorrências e o pós-operatório sem complicações. Decorridos cerca de cinco meses, o doente mantém seguimento em consulta hospitalar e encontra-se bem. O segundo caso de r-EVAR no Hospital foi realizado há uns dias, um homem de 69 anos com um aneurisma aorto-ilíaco em rotura, com antecedentes de hipertensão arterial, dislipidemia, em insuficiência renal aguda, foi submetido a tratamento com sucesso, tendo alta hospitalar ao quarto dia de pós-operatório.
«Estes doentes não teriam seguramente sobrevivido à cirurgia convencional. O r-EVAR permite reduzir substancialmente a mortalidade classicamente associada à cirurgia convencional, mas associa-se a uma complexidade acrescida e configura um desafio técnico e intelectual para o cirurgião vascular», finaliza João Correia Simões.