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JÚLIO BRITO: «Continuaremos a comemorar o 5 de agosto"

Vizela viveu nos dias 5 e 6 de agosto as mais imponentes comemorações do 5 de agosto de 1982, (dia emblemático na luta dos vizelenses a propósito de confrontos entre as forças militares e os vizelenses para desimpedimento de um comboio retido em Vizela). As comemorações foram promovidas por uma Comissão oficializada recentemente. Júlio Brito, um dos principais obreiros faz o balanço para o ddV e perspectiva o futuro da evocação da histórica data.


ddV - Que balanço das comemorações?
JÚLIO BRITO: - O balanço que podemos fazer destas comemorações, é sem dúvida positivo!

 - Que apoios tiveram e de quem?
- Tivemos a colaboração em termos logísticos e na disponibilização do departamento Jurídico na elaboração dos estatutos da Associação por parte da Câmara Municipal de Vizela, tivemos a colaboração indispensável dos comerciantes e industriais vizelenses no que toca a donativos, assim como parte da população onde foi feita uma arruada para angariação de fundos (Avenida Eng.º Sá e Melo, Av.ª Bombeiros Voluntários, Lage, Rua e Travessa das Teixugueiras), assim como nos foi dado o importante patrocínio pelo Dr. Victor Hugo Salgado no que diz respeito ao som e luzes para os espetáculos musicais dos dois dias de festa.
Tivemos ainda a colaboração do Sr. Adérito Costa e Sr. José Manuel Marques, que nos facultaram o vasto espólio fotográfico e vídeo que possuíam, a colaboração da Pesada que nos emprestou a sirene e a bandeira Americana.

 - Qual foi o orçamento?
- O orçamento rondou os sete mil euros, sendo que foi diminuído em cerca de 30 por cento, com o importante patrocínio já referido acima por parte do Dr. Víctor Hugo Salgado, sem dúvida o maior donativo conseguido por esta associação, pois não tivemos de custear o som e luz para os espetáculos musicais.

 - Pagaram todas as despesas?
- Neste momento estamos a fazer o balanço, houve uma ou outra despesa extra, que nestas coisas acontece sempre algo de última hora, e lamentavelmente contávamos com uma promessa de venda de um determinado número de rifas por parte da Câmara Municipal, que acabou por ficar aquém das expectativas criadas pelo Edil, acabando por complicar um pouco as contas iniciais, contudo logo que estejam concluídas serão publicadas nos meios de comunicação social de Vizela.

 - As verbas angariadas chegarão?
- O que conseguimos angariar até à data chegará para cumprir com todas as responsabilidades assumidas por esta associação, e ainda entregaremos alguma verba à Real Associação de Bombeiros Voluntários de Vizela, conforme foi prometido desde a primeira hora, queríamos poder dar muito mais, contudo temos de nos cingir ao que conseguimos angariar.

- O que mais destaca das comemorações?
- Destaco a envolvência da população Vizelense nesta que foi, para nós, a única festa feita em Vizela, desde a conquista da autonomia administrativa, que chamou novamente o Povo pra rua, muito daquele povo que há 34 anos atrás colaborou e deu força à Causa de Vizela, pois jamais nos podemos esquecer que sem a força, persistência e colaboração de tantos Homens e Mulheres Vizelenses que lutaram da forma que podiam e com as mais diversas armas que possuíam, se teria alcançado o objetivo comum.

- Esperava que houvesse mais ou menos adesão do povo?
- A adesãofoi ótima, honestamente acima das nossas expectativas, dado que não podemos esquecer de todas as festas que aconteceram ao mesmo tempo acabaram por dividir o público, nos dois dias tivemos cerca de duas mil pessoas, para um começo é fantástico, sentimo-nos ainda com mais força para continuar.

- É mesmo para continuar?
- É óbvio que se criamos uma Associação e se chegamos aqui, se tudo correu bem, estamos cá para dar continuidade a este trabalho, embora acabe por haver sempre críticas pouco construtivas, que respeitamos, mas discordamos, pois é sempre fácil criticar quem faz alguma coisa, o problema é haver quem faça, quem se entregue a projetos desta natureza sem qualquer tipo de reconhecimento ou ambição financeira, como é o nosso caso.

- O que podem ter de novo as próximas comemorações?
- Temos que pensar que no próximo ano comemoramos o 35.º Aniversário deste acontecimento histórico na vida dos Vizelenses, e por isso temos obrigação de fazer mais e melhor e poderemos ter, quem sabe, um cortejo alusivo ao 5 de agosto de 1982, como aliás aconteceu no passado, mesmo antes da conquista da autonomia administrativa de Vizela, mas ao contrário do que aconteceu este ano, em termos de timing, teremos um ano para trabalhar e projetar umas comemorações à altura desta data.

- A Comissão pode apontar outras iniciativas de forma a preservar a memória da data?
- A comissão está a trabalhar nesse sentido, estamos a recolher o máximo de informação possível, com pessoas sérias e credíveis que acompanharam tudo desde o início de forma a criar uma reprodução visual histórica que pretendemos apresentar a toda a população.
Teremos iniciativas ao longo do ano que permitam que este dia fique cada vez mais gravado na memória de todos, certamente nos associaremos a qualquer evento dentro do associativismo Vizelense, que necessite da nossa colaboração, pois corroboramos com o velho ditado que a união faz a força, e efetivamente juntos seremos sempre mais fortes.

- Acha que os mais jovens interessaram-se por saber mais sobre o 5 de agosto e a luta de Vizela em geral?
- É prematuro falar sobre esta questão, até porque como referi acima, houveram diversos eventos que acabaram por dividir o público, se calhar eventos mais segmentados para os jovens que acabaram por optar por estar presentes nesses em detrimento do nosso, contudo penso que com o trabalho a realizar ao longo do ano que despertaremos os jovens para se interessarem sobre esta história, e teremos certamente eventos voltados para eles também.

- Haver junto ao Largo da Estação um café com o nome de 5 de agosto já foi uma forma de preservar a memória dessa data tão emblemática?
É uma questão pertinente e que me vai permitir esclarecer algumas pessoas em relação ao Café 5 de Agosto e as Comemorações do 5 de Agosto, efetivamente em 08/12/2006, altura em que este café foi reaberto pela minha esposa Cláudia Carneiro e pelo meu Tio José Ribeiro, presidente desta associação, quisemos dar o nome em forma de homenagem ao 5 de Agosto de 1982, e daí que nas comemorações do 25.º aniversário deste dia tão importante para os Vizelenses, em 05/08/2007, fizemos uma pequena festa, com a presença do Grupo de Bombos da lage e um modesto fogo de artificio, como aliás veio consequentemente acontecer todos os anos até agosto de 2015, sempre comemoramos o dia 5 de agosto, da forma que podíamos e conseguíamos custear com capitais próprios sem recorrer a terceiros, até que com a visita o ano passado de alguns elementos da Câmara Municipal de Vizela e da Pesada, foi levantada uma questão, numa breve intervenção do então Vice-Presidente Dr. VÍctor Hugo Salgado, que acabou por lançar achas à fogueira e despertar um conjunto de pessoas, neste caso os 9 elementos que desta associação fazem parte, a querermos fazer algo que realmente tivesse impacto no Povo Vizelense, e que os conseguíssemos trazer para a Rua, não confinando as comemorações quase a uma festa particular, como acontecia até essa altura, não por nossa vontade, mas porque efetivamente as pessoas não se deslocavam a participar na nossa festa, e ao contrário do que já ouvimos em alguns rumores, estas comemorações foram pensadas para reviver a história e nunca de forma a trazer alguma rentabilidade extra para quem explora este café, inclusive fizemos questão de ter em funcionamento um espaço de comes e bebes durante os dois dias de festas, totalmente a render a favor da associação, e aqui devemos separar as águas e analisarmos as coisas em bom rigor, como disse já várias vezes, os elementos que compõem os órgãos sociais desta associação, não buscam qualquer tipo de reconhecimento ou favorecimento, somos uma associação solidária e séria, e tudo o que angariarmos e fizermos, será sempre do conhecimento público, é assim que sabemos estar e assim permaneceremos no Associativismo da Nossa Terra.

- O espaço onde decorreram as comemorações é o ideal?
- O espaço é o ideal, é onde tudo aconteceu, é o cenário perfeito, e até em forma de descentralização das festividades que vão acontecendo na mesma altura, faz todo o sentido que seja aqui.

- Acha que estas comemorações deviam integrar o programa das futuras Festas da Cidade de Vizela?
- A nossa opinião é que efetivamente deveriam integrar o programa das Futuras Festas da Cidade, e conseguirmos que haja um consenso de calendarização das festividades, de forma a não se colidirem, mas cabendo sempre à nossa Associação a organização de qualquer evento. ddV

COMISSÃO 2016
José Ribeiro – Presidente 
Júlio Brito – Vice – Presidente 
Paulo Gonçalves – Presidente Assembleia Geral 
Paulo Félix – Vice – Presidente Assembleia Geral 
Alberto Fonseca – Secretário Relator Assembleia Geral 
João Freitas – Tesoureiro 
Joaquim Vieira – Secretário Conselho Fiscal 
Jaime Leite – Secretário Relator Conselho Fiscal 
Simão Gomes – Presidente do Conselho Fiscal