FELIZ NATAL

Grupo Lasa aponta caminho para mais 46 anos de sucesso

Numa grandiosa Gala que reuniu várias centenas de pessoas, a maioria operários, o Grupo Lasa evocou, com a presença do Ministro da Economia, o passado e apontou metas para o futuro no último sábado à noite no salão-restaurante Eskada. 185 trabalhadores foram homenageados na presença do Ministro da Economia.

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TRABALHADORES FELIZES
185 trabalhadores com 25 anos e mais de filiação nas empresas do Grupo foram reconhecidos com um diploma e uma lembrança tendo o fundador e administrador Armando da Silva Antunes felicitado todos mas deixando a maior referência para João Ilídio Costa «o meu braço direito em tantas batalhas ao longos de todos estes anos e que com grande pena minha vai deixar de exercer funções. Um
homem sério em quem se pode confiar, amigo, responsável e quer terá o meu apoio a 100 por cento nos projetos que vier a assumir como aquele que está atualmente envolvido para servir a comunidade de Vizela».
Armando Antunes agradeceu ainda a Gabriela Coelho Costa, esposa de João Ilídio Costa, pela sua compreensão em relação tantas ausências e horas de espera pelo do marido devido a questões laborais.



O timoneiro do Grupo Lasa fez ainda uma resenha (pode ler no final o seu discurso na íntegra) do seu passado profissional salientando que passou por diversas funções fabris entre as quais a de tecelão e debuchador, comercial, etc. recordando pessoas que estiveram sempre perto de si como o empresário Domingos Sousa mas sempre sem nunca esquecer todos os mais de dois mil colaboradores que servem e serviram o Grupo Lasa.

LENÇOS DE BOLSO NO ARRANQUE
O fabrico dos lenços de mão em pano, o seu primeiro produto fabricado, a praxe que lhe fizeram no seu primeiro emprego, os momentos vividos aquando a revolução do 25 de abril e o delicado momento que passou num hotel na Irlanda do Norte depois do IRA ter feito despoletar uma bomba em Inglaterra, levaram Armando Antunes a destacar que numa empresa o trabalho mais difícil é o de comercial. Recordou também Almeida Santos frisando que este seu amigo (ex-presidente da Assembleia da República e grande apoiante da criação do concelho de Vizela já falecido) foi dos primeiros a alertar para os problemas que os países asiáticos viriam criar à economia portuguesa.
«Passamos momentos duros, mas estamos cá de boa saúde» - frisou.
O fundador do Grupo Lasa disse ainda que quando uma empresa fecha é motivo de tristeza em todo o País para todos porque todos perdem com isso.

JOÃO ILÍDIO COSTA RECONHECIDO 
No decurso da sua intervenção, salientou um grupo de mulheres que estão ligadas à empresa desde 1971 numa noite que ficará memorável para todos.
Os trabalhadores também quiseram prestar a Armando Antunes, à sua esposa Camila Antunes e filhos Fátima Antunes, José Bento Antunes e Isabel Antunes, o seu carinho e amizade agradecendo a esta família vizelense tudo quanto têm feito por eles e pelas empresas onde laboram.
De seguida ofereceram duas molduras com os símbolos antigo e atual da empresa em dourado tendo João Ilídio Costa esclarecido que um representava os primeiros 46 anos da Lasa e o novo a pujança que seria impressa daqui para a frente pelos seguidores de Armando Antunes numa referência aos filhos do conhecido empresário.


PRESIDENTES DAS CÂMARAS AUSENTES
Ausências notadas nesta Gala foram as dos presidentes das Câmaras de Vizela e de Guimarães porque se tratava de um acontecimento pouco vulgar no País e muito mais nestes dois concelhos onde o Grupo Lasa desenvolve grande parte da sua atividade e sobretudo porque Portugal ainda padece de um grande défice ao nível de postos de trabalho – apesar do ministro Manuel Caldeira Cabral ter apresentado um discurso otimista sobre o estado atual da economia portuguesa dando como exemplo o Grupo que o convidou a estar ali presente. As ausências de Dinis Costa e Domingos Bragança foram colmatadas com as presenças da vice-presidente da Câmara Municipal de Vizela, Dora Gaspar e pelo vereador da pasta de economia do município vimaranense Ricardo Costa.
Os dois autarcas foram unânimes a felicitar o Grupo Lasa «pelo excelente desempenho na área económica» destes dois municípios destacando Armando Antunes e estendendo os seus parabéns a todos os colaboradores.

Dora Gaspar recordou que os méritos de Armando Antunes já foram reconhecidos anos atrás pela Autarquia Vizelense que lhe atribuiu a Medalha de Ouro de Mérito Municipal.
Manuel Caldeira Cabral teceu os maiores elogios a Armando Antunes considerando-o um exemplo nacional. O ministro enalteceu também a nova geração que colabora com o administrador de numa grande referência elogiosa aos filhos do conhecido empresário.
O governante abordou ainda os passos que a economia portuguesa tem dado salientando que Portugal está no bom caminho.
A festa prolongou-se noite dentro ao som duma orquestra tendo Armando Antunes e a sua esposa D. Camila e filhos integrado o baile conjuntamente com os trabalhadores em mais uma prova de que a “família” do Grupo Lasa vai muito para além da família Antunes que o gere sendo esta união empresários/colaboradores a chave do grande sucesso empresarial que o Grupo ostenta há perto de meio século.


 70  MILHÕES  DE  FATURAÇÃO
O Grupo LASA  conta com mais de 800 colaboradores diretos, cerca de 70 Milhões de Euros em faturação consolidada e exporta 85% do que produz em Portugal (em Guimaraes e Vizela). 
Para além da área do têxtil-lar, o Grupo incorpora outras atividades como é o caso da rede de lojas com cobertura nacional, da produção de energia e da promoção imobiliária ao nível local e no Porto, onde neste momento conta com investimentos em curso na ordem dos 35 Milhões de Euros.

DISCURSO DE ARMANDO DA SILVA ANTUNES
A HISTÓRIA REAL DE UM LONGO PERCURSO 



Boa noite a todos
É uma honra tê-los aqui.

Exmo. Sr. Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, quero agradecer a presença de Vossa Excelência e o brilho que empresta a esta homenagem que a Lasa e o seu grupo de empresas presta hoje aos seus colaboradores.

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Guimarães
Vice-presidente da Câmara Municipal de Vizela
demais autarcas,
Colegas industriais da ANITLAR,
Convidados e colaboradores,
Comunicação social aqui presente,
Agradeço a todos terem aceitado o nosso convite.


Caríssimos amigos e colaboradores,


Permito-me fazer uma breve apresentação que conte a história do grupo LASA antes de agraciar os homenageados.
Muitos dos colaboradores aqui presentes não sabem o porquê do nome da Firma, quando se formou e eu sinto que esta é a altura ideal para o fazer. É uma história simples que terei o gosto e o prazer de vos contar.
A firma LASA foi criada em 1971 com uma pequena confeção de lenços de bolso. Daí o nome, que é a conjugação da letra L do produto - Lenços, com as primeiras letras do meu nome: Armando da Silva Antunes.
A vida das empresas acaba assim por se confundir com a minha, não só no nome como na sua evolução.
Desde os 14 anos que trabalho na têxtil.
Comecei como aprendiz de tecelão, numa firma que só tinha 4 teares e uma urdideira manual, tocada à mão, sem motor. Imaginem!
Nesta firma só trabalhei 2 dias porque me fizeram uma praxe (como se fosse um estudante caloiro) que levei a mal. Ser praxado consiste em ser servil, obediente e resignado. Eu, não me resigno a este tipo de situações!

Arranjei depois emprego na firma Brito e Gomes, onde não existia a prática abominável das praxes. Depois trabalhei na Empresa Têxtil de Vizela, Flor do Campo e, por fim, no Varela Pinto.
Aos 37 anos estabeleci-me com uma pequena indústria de garagem para confecionar lenços de bolso a feitio para a fábrica onde ainda trabalhava – Varela Pinto.
O passo seguinte foi lançar uma marca, criar uma coleção própria e tentar a sorte no mercado.
Assim, com a marca Lasa foram apresentadas no mercado interno 4 séries de lenços de bolso, 2 de homem e 2 de senhora, com preços e padrões bem estudados e com bons agentes - vendedores.
Eu próprio, acompanhado pelos agentes, fiz uma visita de apresentação a todos os futuros clientes, começando pelo Porto (nosso principal mercado), logo seguida dos clientes da província e Lisboa.
A LASA deixou, na altura, que fosse o mercado a dizer quais os produtos que queria, que qualidade, e qual o preço que estava disposto a pagar.
Ao longo de 30 dias, conseguimos encomendas que excederam as nossas expetativas, não só pelo volume de dúzias vendidas, mas mais importante do que isso, pelo número de clientes que introduziram a coleção.

Ainda não se usavam os lenços de papel.

Após duas a três semanas do meu regresso, recebi uma visita importante de um cliente do Porto.
Era o Sr. Paiva (um senhor com idade para cima de 70 anos), principal sócio da Sociedade de Malhas e Miudezas com sede na Rua das Flores. Entrou no meu pequeno armazém disposto a comprar-me tudo. Fiquei preocupado e o meu rosto revelou essa preocupação.
Virou-se para mim e perguntou:
- Então! Estou a comprar quase tudo e o Sr. não está contente? Porquê?
-Tentei explicar que se levasse aquela quantidade toda de uma só vez, eu iria ter graves problemas de entrega com outros clientes. (Não me deixou argumentar mais e saiu disparado pela porta fora).
Fui no seu encalço e, já na rua, depois de muito instado, disse-me com ar ameaçador.
- Mande o que quiser.
Telefonei de imediato ao agente a contar o sucedido e que não poderia ir além de 10 ou 12 dúzias por padrão sob pena de ficar sem mercadoria para servir os clientes.


O meu agente era grande amigo do cliente e conseguiu normalizar a situação. Não deixou porém de me dizer que o cliente tinha 20 vendedores que cobriam todo o país, razão pela qual queria o monopólio dos lenços, e assim dificultar à LASA o serviço e a sua introdução no mercado.
Acabou sendo o nosso principal cliente do Porto. Comprava todos os padrões da coleção e quando saíam novos lá vinha uma nova encomenda.
Acabamos bastante amigos.
Cedo aprendi que o mercado têxtil era muito complexo.
A partir daqui, a LASA teve uma evolução e um crescimento rápido. Começou a exportar muito cedo. Comprava tecido às fábricas, confecionava e exportava.
Foi como comprador e comerciante que trabalhei alguns anos com grande parte dos nossos industriais têxteis. Alguns deixaram-me muito boas recordações.
Armando Antunes com o empresário Domingos Sousa.
Tenho o grato prazer de ter aqui um desses amigos fabricantes. É um industrial com quem me identifico e saúdo afetuosamente: o Sr. Domingos de Sousa.
Temos quase a mesma idade.
Uma idade em que a lisonja já não produz efeito e já não temos de provar coisa alguma a ninguém. É um prazer vê-lo Sr. Domingos de Sousa junto de todos estes nossos colegas e amigos comuns.

Recordo outro amigo desse tempo, da mesma geração, um fornecedor, e cuja ausência aqui, por motivos de saúde, lamento com tristeza e saudade.
É o Sr. Alberto Fernandes da firma J. Pereira Fernandes. Deste amigo recordo os tempos, há mais de 40 anos atrás, em que os negócios eram selados com um aperto de mão. Não havia qualquer contrato a responsabilizar as partes.
Podia cair o Carmo e a Trindade,
Podia subir ou descer a cotação do algodão ou da moeda,
Mas o negócio nunca foi afetado.
Alberto Fernandes era um Senhor nos negócios, de muita inteligência e um grande sentido de humor.
Gastávamos uma hora a filosofar e 5 minutos a fazer o negócio.
Ele dizia o preço e eu aceitava. Outras vezes eu dizia quanto podia pagar e ele aceitava também.
Tenho muitas saudades desse tempo…
Hoje é tudo muito mais complexo.
Aproveito aqui a presença, que agradeço, do Sr. Amadeu Fernandes, atual administrador da firma e Presidente da Direção da ANITLAR, e peço-lhe desde já, que faça chegar ao seu irmão Alberto as minhas mais cordiais saudações e sinceros votos de melhoras.
O próximo passo da empresa ocorreu devido ao nosso 25 de abril. Passo a explicar.
No dia 25 de abril de 1974 encontrava-me em Bruges na fábrica de um cliente.


Foi só no dia 26, já em Bruxelas, quando tentava regressar a Portugal que soube da Revolução. Fiquei retido 2 dias pois os aeroportos em Portugal estavam fechados.
Durante esses 2 dias passeei pela cidade a ver montras e a procurar “matar” o tempo, mas sempre preocupado com o que se passava em Portugal.
Foi aí que refleti na fragilidade da LASA que dependia de outros para obter os seus tecidos. A partir daí pensei que teria eu próprio de ter fabricação. Essa ideia saiu reforçada porque logo após o 25 de abril, algumas das fábricas a quem a LASA comprava tecido, passaram a não cumprir alguns prazos de entrega, resultando daí fortes penalizações para a LASA, pelos seus clientes.
Assim nasceu a LASA fabricante e a sua necessidade, que ainda hoje a acompanha.
Necessidade de novos produtos, necessidade de mais produção por exigência de redução de custos e, foi ainda por necessidade, que criei a FILASA, uma fiação de raiz.
Foi numa altura em que a LASA estava com problemas vários, porque a produção e a qualidade dos seus produtos não era a melhor. Passei, a partir daí, a dar expressão ao projeto de fabricar o fio, que entretanto vinha a amadurecer.
Foi ainda a necessidade que me fez comprar a firma Luzmont, especializada em roupa de cama, complemento hoje mais que necessário no comércio dos têxteis-lar.


Caríssimos amigos,
Ao longo de 46 anos de existência da LASA, assisti a inúmeras crises.
Aprendi com a leitura delas, que o cliente passa a ser mais racional e muito mais exigente na qualidade e escolha dos produtos.
Nós fabricantes, temos de adaptar-nos à realidade e exigências dos clientes, de forma muito rápida, procurando oferecer aquilo que eles realmente procuram.
Como comprador, assisti ao encerramento das maiores fábricas com quem trabalhava em Portugal. Algumas de forma bem dramática e com más consequências para as fábricas que ficaram.
Porquê?
Porque esses fechos provocaram a saída de grandes clientes e o encerramento dos seus escritórios em Portugal. Ainda hoje não estamos livres que isso continue a acontecer.
Nós temos como certo e sabido, quando um concorrente nosso fecha, todos nós ficamos prejudicados. Quantas menos fábricas tivermos em Portugal, menos clientes nos visitam.
É difícil às pequenas e médias empresas portuguesas, resistirem à concorrência das grandes empresas asiáticas. As grandes unidades produtivas realizam impensáveis economias de escala e obtêm financiamento a prazos e taxas de juro de exceção.
Já o Sr. Almeida Santos, nos seus livros, nos alertava para as consequências nefastas da globalização para as nossas empresas.

Ele dizia:
Com a globalização tudo vai passar a funcionar de maneira diferente, sem disciplina, sem regras, sem controlo, pois tudo será livre
Leis laborais mais flexíveis, e níveis salariais mais competitivos, permitem aos países asiáticos inundar a Europa de produtos baratos, provocando a paralisação das indústrias que não se adaptaram a tempo.
Estes alertas foram feitos há talvez 20 anos, quando ainda ninguém se preocupava com o que vinha a seguir à globalização.
Tive o prazer de conhecer o Sr. Dr. Almeida Santos, e privar com ele, um homem inteligente e generoso.
Preocupem-se, por favor, pedia ele nos seus livros.
Já o nosso genial Camões dizia que o mundo é feito de mudança.
Porém, os anos foram passando, e como a necessidade aguça o engenho, pouco a pouco fomo-nos adaptando à nova realidade e melhorando os processos produtivos e a competitividade.
Mas o mundo ocidental anda muito preocupado. Acabou finalmente por verificar, pelos erros cometidos, que a globalização precisa mesmo de regulamentação.
A imprensa desta última quarta-feira, traz em título:
Comissão Europeia quer regular a globalização.
A Alemanha, França e Itália, deram já o primeiro passo para a tão reclamada regulamentação da globalização.
Outra notícia de há 15 dias, no Jornal Le Monde, dizia:
A Força Operária, por um lado, e a Frente Nacional, por outro, avançam com um discurso antiglobalização, para proteger os operários e trabalhadores franceses.
O mundo está mesmo em mudança.
Penso bem, se disser que o futuro será bem melhor que o presente, caso o custo de produção dos países asiáticos continue a crescer, como tudo leva a crer.
A LASA tem de continuar a acompanhar com muita atenção, o dinamismo e a evolução do mercado, seguindo o caminho já traçado, mas sem desvios e recuos, sob pena de tudo se desmoronar.
Há já muito que digo que se pode fazer a analogia da fábrica a um aeroplano.
Para se conservar no ar tem de avançar continuamente. Se não se mover, cai. Não pode ter recuo.
Nas fábricas é exatamente igual.




Senhores convidados,
Senhores colaboradores
As empresas são os seus trabalhadores.
Pela Lasa, Filasa e Luzmont, ao longo destes 40 anos, já passaram mais de 2 mil trabalhadores.
Hoje, vamos homenagear 183 colaboradores do Grupo, como reconhecimento pela dedicação demonstrada ao longo de 25 anos de trabalho, ora ainda em atividade ou já aposentados.
Confesso que fiquei surpreso e muito orgulhoso com tamanho número, mais até por saber, que grande parte destes trabalhadores ultrapassou largamente os 25 anos de carreira profissional no Grupo.
É pois por mérito vosso, que estais aqui hoje, para serdes agraciados e reconhecidos.
Reconheço que esta homenagem era devida há já algum tempo, razão pela qual o meu empenho pessoal para que esta festa fosse memorável, tendo sido eu próprio a fazer os convites aos ilustres convidados e industriais da ANITLAR, pois entendia que a sua presença daria outra grandeza à nossa festa.
Uma fábrica funciona como uma orquestra, onde todos os instrumentos são importantes e necessários para conseguir uma bela melodia.
Posso dizer-vos que, nos meus 69 anos de trabalho na têxtil, já toquei todos os instrumentos.
São tantos como os dedos da minha mão: tecelão, afinador, debuxador, comercial e gestor/administrador, que ainda sou.
Gosto de trabalhar no têxtil e posso dizer-vos que todos os trabalhos são duros, embora existam uns mais duros que outros.
Reconheço que o mais duro é indubitavelmente o comercial, pois está sujeito a uma pressão psicológica constante. Aliás, como constante é a luta permanente por uma fatia deste e daquele mercado, num esforço de conquista deste e daquele cliente.
Ocasiões há, e são muitas hoje infelizmente, em que o cliente diz o preço que quer pagar, tendo o comercial e a fábrica de fazerem milagres para vender, conseguindo as encomendas sem que a fábrica perca dinheiro.
É evidente, acreditamos, que cada comercial se aplica até ao seu limite, e para eles vai toda a nossa gratidão.
Vou contar um pequeno caso passado comigo e com um comercial.
Um dia pegamos nas malas e fomos vender para a Irlanda do Norte. Era ainda no tempo em que o mercado inglês era um mercado maduro para os portugueses, e verde para os indianos e paquistaneses. Da China ninguém ouvia falar.
Chegamos de noite ao hotel, e de manhã qual não foi a nossa surpresa, ao ver o país em estado de sítio. O hotel estava cercado de arame farpado e com chaimites à porta.

Soubemos de seguida que, por azar nosso, o IRA tinha feito explodir uma bomba em Londres, durante a noite.
Fomos revistados por elementos do exército e perseguidos nos passeios, pela mira das metralhadoras das chaimites que patrulhavam as ruas.
Vivia-se medo nas ruas, tendo nós também ficado muito assustados. Eu não voltei lá mais, mas o comercial continuou a fazer este mercado, embora em condições bastante precárias.
Contei este caso por achar bastante demonstrativo os imprevistos a que os comerciais estão sujeitos.
Todos vocês, trabalhadores da área fabril, estais sempre dependentes do trabalho dos comerciais.
Mas também é verdade, que a comercial está dependente da qualidade do vosso trabalho.
(Nunca se esqueçam)
O sucesso da comercial é o sucesso de todo o grupo.
Manifesto em meu nome e da minha família a minha gratidão pelo vosso trabalho, pela vossa dedicação e pelo vosso esforço em prol do Grupo LASA e do seu êxito.

Meus queridos colaboradores,
Sei que o tempo já vai longo mas peço-lhes mais uns minutos pois tenho de homenagear um colaborador, o João Costa, que acabou de deixar a administração deste grupo de empresas.
Esteve connosco mais de 40 anos.
Foi sempre um homem de confiança, com quem partilhei a gestão destas empresas e debati tantas questões importantes relativas ao futuro das mesmas.
Sempre nos uniu uma grande amizade, para além da colaboração profissional.
Desde que o chamei para desempenhar cargos de alta responsabilidade na administração, foi sempre um homem sério e leal ao longo de todos estes anos.
Em boa hora o fiz.
O João Costa passou a ser um dos principais artífices do desenvolvimento do grupo.
Nunca levanta a voz (faz parte da natureza dele) e é sempre sensível aos argumentos contrários aos seus.
Nunca põe os seus legítimos interesses pessoais à frente dos interesses dos seus colaboradores diretos.
A sua exigência para com os outros é sempre precedida da exigência com ele mesmo.

Costa, percebo que para alguém com o teu sentido de moderação, seja algo constrangedor ouvir estes elogios, e à frente de tanta gente.
Tem paciência.
O que precisa de ser dito, tem mesmo de ser dito, e não vejo melhor ocasião que esta, agora que nos vais deixar.
João Costa, és um senhor, sempre corajoso, frontal, verdadeiro nos confrontos em que tínhamos opiniões discordantes.
No fim das nossas trocas de opiniões contrárias, fazias sobressair sempre os teus dotes apaziguadores.
Nas muitas horas em que trabalhávamos juntos, fora das horas normais de trabalho, foi-me dado assistir a chamadas da tua mulher, a lembrar o quão tarde já era.
Pedias mais meia hora, passava uma e continuávamos a trabalhar.
Quero aproveitar aqui a presença da tua mulher, para lhe enviar uma saudação muito carinhosa.
Minha querida amiga Gabriela, peço desculpa pelas muitas horas, que subtraí ao João, ao vosso convívio (a verdade é que nem sempre tive a culpa).
Grande parte das vezes, era o seu sentido de responsabilidade, e os seus compromissos de gestão que o retinham.
Por experiência própria, sei que quando se trabalha 10 ou 12 horas por dia, quem mais sofre são os familiares (a minha mulher que o diga, também).
João Costa vai tranquilo, pelo dever cumprido.
Os resultados falam por si.
No trabalho sempre foste um homem permanentemente preocupado. Preocupado em fazer bem aquilo que precisava de ser feito.
Tive em muitos momentos o privilégio de ter estado ao teu lado, movido pelo teu estímulo e pelo teu exemplo.
Sempre tiveste a arte de ultrapassar os problemas, enfrentando-os.
Foi uma honra trabalhar contigo.
Vais deixar saudades: saudades aos meus filhos e aos teus colaboradores diretos.
Todos nós nos habituámos a ver em ti o conselheiro das horas difíceis, o homem justo, íntegro e sempre disciplinador com os teus colaboradores diretos, mas sempre com humanidade.
Tu, amigo Costa, (tanto quanto sei), sais da tua zona de conforto, para te dedicares de forma altruísta ao bem comum.
Estou de alma e coração contigo.
Por isso, desejo-te as maiores felicidades.
Não podia terminar esta minha intervenção sem contudo mencionar outros colaboradores que estão connosco há mais de 40 anos.

As primeiras 4 senhoras que vou referir estão mesmo connosco, desde o início da empresa em 1971.
São elas:
A Maria Arminda Ferreira Costa
A Maria Rosa Carneiro Pereira
A Ana Ferreira Costa Pedrosa
A Albina Antónia Pinto Gonçalves
A Ana Maria Oliveira Lopes
A Maria de Fátima Sousa Pinto
A Maria Manuela da Silva
A Benvinda Silva Peixoto
A Maria Alice Freitas
A Alexandrina Francisca Ribeiro Silva
A Rosa Maria Silva Pinto

A estas grandes senhoras, mas também a todos os outros colaboradores do Grupo Lasa, eu digo:
Muito obrigado!