"Passei um período bastante complicado" - Victor Hugo, Presidente da Câmara de Vizela

Victor Hugo Salgado, Presidente da Câmara Municipal de Vizela, encontra-se em isolamento profilático desde quarta feira da passada semana depois de ter testado positivo para a covid-19,

pandemia que, enquanto autarca, se revelou incansável a combater. O ddV foi saber como se encontra a figura número um do concelho de Vizela no período mais difícil da sua vida.


DIGITAL DE VIZELA - Como se sente?

VICTOR HUGO SALGADO - Sinto-me substancialmente melhor. Passei um período bastante complicado, sobretudo pela evolução da doença para pneumonia, mas, neste momento, estou a recuperar muito bem.

- Qual o ponto da tua situaçao, vai fazer novo teste? 

- Neste momento, e atendendo que fui um positivo em que a doença se manifestou de forma expressiva, terei que ser analisado de forma diferente. Não posso sair ao décimo dia após ter testado positivo, mas ao vigésimo dia. Ou então, tendo em consideração que faço teste na próxima sexta-feira, se este der negativo, poderei abandonar o confinamento.



- Quando regressa à atividade Municipal? 

- Tudo indica que regressarei à atividade no próximo dia 04 de novembro. Ou melhor, não regresso à atividade porque esta nunca esteve suspensa. Apesar de, numa fase inicial, ter sido mais difícil manter a minha atividade face aos sintomas, nunca deixei de estar no ativo e a trabalhar a partir de casa, acompanhando a atividade municipal diariamente.


- Quais foram os sintomas que teve? 

- Os sintomas iniciais são em tudo similares a uma gripe, febre, tosse, dores no corpo, em particular no peito, nas costas, na cabeça e até nos olhos. Entretanto, estes sintomas agudizam-se e tudo aumenta para um estado quase desesperante. Com o tempo, vem a perda do olfato e, em seguida, do paladar. Muito difícil.


- Porque foi fazer o (primeiro) teste? Sentiu o quê? 

- Fui fazer o primeiro teste porque passei uma noite horrível, sem dormir e com dores no corpo e febre.

- Quantos membros da CMV estão fora de atividade?

- Estão afastados da Câmara, apesar de continuarem a trabalhar, o Vice-presidente e vereadores, tal como os funcionários que trabalham diretamente comigo. Achamos que devíamos cumprir escrupulosamente todas as regras da Direção Geral de Saúde.


- Como acha que se vai resolver este problema da covid? 

- Acho que é uma questão difícil de responder. Neste momento, ninguém consegue responder. Na minha humilde opinião, a solução passa pela descoberta e distribuição massiva de uma vacina, contudo, entretanto, temos de tomar todas as medidas para, por um lado, evitar a contaminação e, por outro, e depois desta acontecer, evitar a sua propagação. Importa acrescentar que, depois da questão da Saúde Pública ultrapassada, vem a crise económica, que poderá ser tanto ou mais devastadora que esta.


- Como é estar em casa em confinamento? 

- Estar em casa e em confinamento foi é cada vez mais difícil, primeiro porque sou uma pessoa muito ativa e estar fechado dentro de um quarto, onde o contacto para o exterior é feito, apenas, por telemóvel ou e-mail é muito difícil. Para além disso, é sempre difícil estar afastado de quem mais gostamos, em particular, dos meus filhos que são, ainda, pequeninos e com quem mantenho uma relação muito afetuosa de muitos beijos e abraços e que, neste momento, não são possíveis.


- Foi abordado por muitas pessoas preocupadas com o teu estado? 

- Fui abordado por centenas de pessoas, e das mais variadas formas, preocupadas com o meu estado de saúde, desejando rápidas melhoras. Foi muito bom, todos sabemos que é muito bom sentir carinho e apoio, em particular, quando estamos mais em baixo e debilitados. Aproveita assim este momento para agradecer a todos e a cada um individualmente pelo apoio que me deram, foi muito importante.


- Que conselho quer deixar?

- O principal conselho que quero deixar é que se protejam. Cumprindo todas as regras que sucessiva e reiteradamente têm sido divulgados pelas diversas entidades de Saúde pública e pela câmara municipal. É importante que todos percebam a complexidade e a exigência deste momento e é preciso, acima de tudo, que todos assumam uma atitude de responsabilidade social. Conforme já referi anteriormente, não devemos pensar que o COVID é apenas para os outros. Termino fazendo um agradecimento penhorado a todos os profissionais de saúde em particular aos que me acompanharam ao longo dos últimos dias, de uma forma especial ao Dr. Fernando Carvalho e a Dra. Rosa Celeste. ddV

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