Presidente da República homenageado em Guimarães


Marcelo Rebelo de Sousa, foi agraciado com a Medalha de Honra do Município de Guimarães.



Foi há 893 anos, no dia 24 de Junho, que a Batalha de S. Mamede deu início ao processo que viria a fundar a Nação Portuguesa. A habitual Sessão Solene evocativa da efeméride iniciou-se com uma deposição de coroas de flores junto à estátua de D. Afonso Henriques, efetuada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e pelo Presidente da Câmara, Domingos Bragança. O Presidente da República receberia, em seguida, uma réplica da espada de D. Afonso Henriques, entregue pela Associação Grã Ordem Afonsina.


A cerimónia iniciou-se com a aposição das medalhas honoríficas, que este ano distinguiram de novo o coletivo e o trabalho em prol da comunidade vimaranense. A Rede Social de Guimarães foi agraciada com Medalha de Mérito Social, pelo trabalho que realizou, que continua a realizar e pelo muito que continuará a dar às suas comunidades no futuro, e a Comunidade Escolar com a Medalha Honorífica de Mérito Educacional, por contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais democrática e mais capaz de atenuar as desigualdades sociais, um bem maior em qualquer tempo, e mais ainda em tempo de pandemia. Marcelo Rebelo de Sousa recebeu a Medalha de Honra do Município de Guimarães, atribuída em Assembleia Municipal de 19 de junho de 2019, como distinção pelo rigor e a exigência colocados no exercício das suas funções, em prol de Portugal, bem como pela sua atenção com o sofrimento e a injustiça, o seu sentido de solidariedade, a forma como dirige os seus afetos, sejam eles de reconhecimento do mérito individual ou coletivo, sejam eles como palavra de conforto ou de reivindicação de uma atenção que se exige perante a adversidade.


No início da intervenções protocolares, Domingos Bragança, Presidente da Câmara, evocou a conferência proferida por José Mattoso, em 1978, intitulada “A primeira tarde portuguesa”, para relembrar que a Batalha de S. Mamede foi o ato fundador da construção coletiva da nossa identidade nacional e ato político fundamental para o início de uma jornada que não mais seria travada rumo à fundação do país que hoje é Portugal. “Para fundar o país, foram necessários atos políticos, outras batalhas ou o reconhecimento clerical, mas há uma certeza inquestionável na construção coletiva e histórica: em Guimarães reside um pulsar que não prescinde da certeza de que ‘Aqui Nasceu Portugal’, aqui se cuida da memória do Primeiro Rei D. Afonso Henriques, e aqui teve lugar o ato fundador do processo de nacionalidade”, salientou.


O Edil evidenciou a forte identidade vimaranense, o orgulho, a paixão pela história, e a sabedoria dos Vimaranenses na construção de um coletivo coeso e solidário. Salientando o percurso recente de Guimarães, pela via do desenvolvimento cultural, da preservação do Património, da sustentabilidade ambiental, entre outros vetores, Domingos Bragança destacou o esforço colocado por todo o coletivo no combate à pandemia de Covid-19, “um vírus que quisemos e queremos derrotar, porque, tal como em S. Mamede, Aqui, as Batalhas são para vencer”.


Em relação às medalhas honoríficas, Domingos Bragança disse que a sua atribuição reforça os princípios de altruísmo cultivados na comunidade vimaranense: “Só através da atenção que dedicamos ao próximo é que é possível construir uma sociedade mais justa e fraterna. A Rede Social do Município é fundamental para a coesão territorial e social, e a Escola é um pilar insubstituível de empoderamento do cidadão de amanhã, que certamente consolidará Guimarães como Cidade de História feita futuro”. Referindo-se à Medalha de Honra do Município de Guimarães, atribuída ao Presidente da República, o Presidente da Câmara destacou o alto serviço prestado em prol de Portugal e o forte sentido de solidariedade de Marcelo Rebelo de Sousa: “Numa sociedade em que o egoísmo e a indiferença imperam, ter como premissa fundamental o respeito pela dignidade da pessoa humana, pela decência e respeito do nosso quotidiano social, não pode deixar de merecer a nossa profunda admiração”.


A finalizar a sua intervenção, Domingos Bragança recuperou a evocação histórica: “Ostentamos com orgulho que Aqui Nasceu Portugal, celebramos com as nossas gentes a fundação da nacionalidade, e do Berço, para a Nação, afirmamos o imperativo categórico de preservar e honrar a história do nosso país. 24 de Junho é o Dia Um de Portugal”.


A Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, relevou a memória como parte fundamental da identidade portuguesa, referindo-se ao 24 de Junho de 1128 como o “início de um processo irreversível da nacionalidade portuguesa”. Para Ângela Ferreira, “tudo o que depois construímos é a prova de que o gesto de desafio dos nossos antepassados valeu a pena”.  A Secretária de Estado destacou o papel fundamental da Rede Social de Guimarães e da Comunidade Escolar nos anos difíceis que atravessamos, atribuindo à Escola também um papel central na educação cultural dos seus alunos.


Na sua intervenção protocolar, o Presidente da República disse que o passado fez de Guimarães o início de Portugal e que o 24 de Junho de 1128 foi o momento fundador e o primeiro de muitos momentos. “Guimarães reivindica a justo título essa presença na fundação de Portugal. Nós nunca a esqueceremos”, frisou. Marcelo Rebelo de Sousa considera essa matriz histórica de Guimarães definidora da sua alma, raiz, força, pujança e espírito de corpo pujante e coeso, tanto no passado como no presente. Para o Presidente da República, o passado, presente e futuro de Guimarães são o passado, presente e futuro de Portugal.


Marcelo Rebelo de Sousa lembrou também o presente, e o esforço que tem vindo a ser feito por todo um coletivo para mitigar os efeitos negativos da pandemia da Covid-19. Se antes foram lembrados os profissionais da primeira linha da saúde e dos cuidados básicos, agora “não esqueceremos o papel das instituições e dos cuidadores da Solidariedade Social. O mesmo se dirá da Escola. Dessa Escola que não parou. Dessa Escola feita da família, dos pais, dos avós, de outros educadores, mas de uma forma especial dos diretores, dos professores e da comunidade que soube reinventar-se em tempos tão diversos”, salientou. O Presidente da República usa a batalha contra a Covid-19 para voltar à Batalha de S. Mamede. “No fundo, S. Mamede foi a primeira de muitas batalhas travadas todos os dias, por todas e todos os portugueses, ao longo de quase nove séculos de história”, disse.


O Presidente da República justificou o facto de ter aberto uma exceção ao ter aceitado o galardão municipal, “por se tratar de Guimarães e por se tratar de uma homenagem a todas e a todos os portugueses. Fui apenas o intermediário, o medianeiro dessa homenagem. A homenagem que me foi prestada não foi prestada ao cidadão, foi prestada ao Presidente da República Portuguesa, foi prestada ao Chefe de Estado. Àquele que representa os milhões de portugueses e portuguesas”, disse.


Após ter deixado uma mensagem de esperança em relação ao futuro do país, à sua recuperação económica e social, Marcelo Rebelo de Sousa invoca a Batalha de S. Mamede para concluir: “Este dia não deve ser de nostalgia, nem de mero engrandecimento do passado. Deve ser também de engrandecimento do presente e, sobretudo, de engrandecimento do futuro. Nós temos um grande futuro (...) esse futuro começou aqui, em S. Mamede, em Guimarães, mas continua e continuará, e essa palavra de confiança que vos deixo”.


A abrilhantar artisticamente a Sessão Solene do “24 de Junho de 1128 – Dia Um de Portugal”, estiveram o Quarteto de Cordas da Orquestra de Guimarães e a soprano Sandra Azevedo* (Hino Nacional* e Divertimento em F major, K.138, W.A. Mozart),  a atriz Inês Lago (declamação do poema “Rogo escutado a um coração”, de Carlos Poças Falcão) e o pintor Rafael Oliveira, que produziu uma obra durante a cerimónia, que será oferecida à Presidência da República.


 

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