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LIVRE: "As eleições em Itália"

«Sobre os resultados das eleições em Itália: ganhou o populismo e o medo»


Itália foi ontem a votos após uma campanha marcada pelas questões relacionadas com a imigração e o acolhimento de refugiados. Apresentaram-se a votos três grandes blocos: uma coligação de direita, apadrinhada por Berlusconi e que engloba partidos da direita radical, o Movimento 5 estrelas, anti-partidos políticos e com um discurso tendencialmente anti-imigração, e, à esquerda, o PD e outros partidos que, contrariamente ao bloco de direita, não concorreram de forma conjunta.

Após anos de políticas de centro nada ambiciosas por parte do PD de Renzi, perdeu-se uma oportunidade para discutir uma política progressista para Itália e para a União Europeia. Pelo contrário, nesta campanha assistiu-se a um crescimento do discurso xenófobo e racista no espaço público e que culminou numa série de ataques e agressões a militantes de partidos de esquerda.

Os resultados foram uma confirmação do pior. Numas eleições com uma das taxas de participação mais baixas da história da democracia italiana, a esquerda teve o seu pior resultado de sempre, com o PD de Matteo Renzi a não conseguir atingir sequer os 20%. Os grandes vencedores são o Movimento 5 estrelas que, sozinho, ultrapassou a barreira dos 30%, o que, ainda assim, não lhes permitirá atingir uma maioria que leve a uma governação sem alianças. Na coligação de direita, a Liga, partido da direita radical e xenófoba, foi o partido com mais votos, distanciando-se do partido Força Itália de Berlusconi.

Os próximos dias serão dedicados à tentativa de formação de coligações passíveis de governar. Itália corre o sério risco de ser governada por uma coligação apelidada por alguns como de “centro-direita” mas que é na verdade uma coligação que engloba a extrema-direita eurocética.

Estes resultados em Itália (e em vários outros países europeus e do mundo) provam a necessidade de reformular a política e de a credibilizar. É também preciso democratizar a União Europeia e lutar pela construção de uma Europa da solidariedade, ecológica, dos seus cidadãos e aberta aos que nela querem entrar. Só assim podemos combater o discurso nacionalista e xenófobo que tem vindo a ganhar força em todo o espectro político.