COMUNICADO - O atual Executivo da Junta de Freguesia de Santo Adrião considera seu deveresclarecer, com verdade, serenidade e total transparência, os Santoadrianenses, face aoscomunicados recentemente divulgados pelo anterior Executivo.1. Informação financeira incompleta na transição de mandato
No dia 21 de outubro de 2025, aquando da reunião de transição entre executivos, foi entregue e assinado um relatório intermédio, no qual o anterior Executivo declarou que todos os documentos e faturas recebidos se encontravam pagos até àquela data.
Após uma análise mais aprofundada da contabilidade, o atual Executivo verificou que essa informação não correspondia integralmente à realidade, uma vez que:
· Existe uma fatura datada de 03/10/2025, no valor de 93.876,78 € da empresa Propavimentos, que se encontra pendente e por liquidar;
Existem ainda 9 faturas da empresa GlobalSoft, datadas entre novembro de 2020 e maio de 2021, no valor global de 465,69 €, igualmente por pagar.
Estes factos demonstram que a informação prestada na transição não foi completa, contrariando o que foi afirmado publicamente pelo anterior Executivo.
2. Obras anunciadas sem registo contabilístico:
No dia 12 de setembro de 2025, o anterior Executivo anunciou publicamente, através de redes sociais, a construção de um parque de estacionamento em Lagoas. No entanto, após verificação detalhada da contabilidade da Junta, não existe qualquer fatura registada ou lançada em sistema relativo a essa obra, o que reforça a conclusão de que nem toda a informação relevante foi transmitida ao atual Executivo.
3. Gestão da conta corrente e das verbas disponíveis
A Junta de Freguesia recebe mensalmente verbas provenientes das delegações de competências da Câmara Municipal, da DGAL e da Caixa Geral de Aposentações, destinadas essencialmente ao pagamento de salários e funcionamento corrente. Essas verbas são transferidas após o dia 12 de cada mês e destinam-se a cobrir despesas até à receção da tranche seguinte.
O que o atual Executivo afirmou — e reafirma — é simples e factual:
· O saldo real disponível à data da tomada de posse era de 3.609,13 €, valor esse nunca desmentido pela oposição, mesmo após ter sido referido em Assembleia de Freguesia;
· As despesas correntes relativas ao mês de outubro, com vencimento até 10 de novembro, ascenderam a 5.374,43 €;
Ou seja, não existia verba suficiente para cumprir todos os pagamentos, situação que levou a incumprimentos, nomeadamente no pagamento dos motoristas de transporte escolar, cujo serviço de outubro é sempre pago no início de novembro, e que como é sabido o valor pago por quem usufrui do serviço cobre menos de metade do valor pago aos motoristas.
Este cenário demonstra uma gestão imprudente da tesouraria, por parte do anterior Executivo, que conhecia perfeitamente os encargos que iriam vencer antes da entrada de nova verba.
4. Conta caucionada e valores indevidamente considerados disponíveis
O anterior Executivo refere valores da conta caucionada como se fossem verbas livres.
Importa esclarecer que:
· O valor efetivamente afeto a esta finalidade é de 1.500 €, e não 1.830,15 €;
· Este montante destina-se exclusivamente a garantir o funcionamento do TPA, permitindo aos fregueses pagar serviços em numerário ou multibanco;
· Não deve nem pode ser utilizado para pagamentos correntes da Junta, sob
pena de colocar em risco o normal funcionamento dos serviços à população.
Este valor está incluído nos 3.609,13 € referidos, mas não é verba disponível para despesas gerais.
5. Utilização indevida de verbas salariais
O atual Executivo verificou ainda que o anterior Executivo utilizou verbas recebidas para pagamento dos seus próprios salários, deixando um encargo de cerca de 9.754,21 € para ser suportado pelo novo Executivo, agravando ainda mais a situação financeira herdada.
6. Auditoria externa às contas
Face às incoerências, omissões e divergências verificadas, e no superior interesse da transparência e da verdade, o atual Executivo decidiu avançar com uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia, para que todos a população de Santo Adrião possa conhecer, com rigor e independência, como foram geridos os dinheiros públicos nos últimos anos.
Esta decisão não é um ataque político, mas sim um ato de responsabilidade, que visa proteger a Junta, os seus trabalhadores e, acima de tudo, a confiança da população.
Nota Final
O atual Executivo não governa olhando para trás por conveniência política, mas não pode aceitar que se deturpe a verdade. Continuaremos a trabalhar com seriedade, proximidade e transparência, focados na resolução de problemas e na construção do futuro de Santo Adrião.
A verdade será sempre o nosso ponto de partida.
João Augusto Costa
Presidente da Junta de Freguesia de Santo Adrião