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"Rua Dr. Abílio Torres, novamente o trânsito"

"A entrevista dada à Rádio Vizela por Victor Hugo Salgado, presidente da Câmara de Vizela veio trazer algumas luzes sobre o que este órgão poderá estar a
equacionar ser a solução para o descongestionamento do percurso entre as Teixugueiras e a rotunda Guilherme Caldas Peixoto, tendo a única solução mencionada ter sido a devolução de dois sentidos de trânsito à Rua Dr. Abílio Torres.

Ainda antes da actual solução de sentido único ter sido implementada, fui seu defensor e embora reconheça que esta configuração provocou o aumento da pressão de trânsito na via circular poente e na rua Joaquim Pinto, também estou convicto que não foram esgotadas todas as pequenas medidas que contribuem para a resolução desta equação e disso mesmo fiz registo em texto publicado por altura da última campanha eleitoral.

As fotos que esporadicamente vemos de uma rua Dr. Abílio Torres apinhada de carros por muito nostálgicas que sejam, não devem passar de meras recordações. A evolução natural é diminuir a pressão automóvel sobre os centros das cidades procurando um ponto de equilíbrio entre a qualidade de vida, ambiente e necessidades quotidianas. Em Vizela, voltar a ter uma Dr. Abílio Torres com dois sentidos é um retrocesso nas aspirações a uma cidade moderna e admitir que é uma terra sem soluções.

É incompreensível que se possa defender Vizela como marca associada a turismo cultural e terapêuticas termais e em simultâneo admitir tal possibilidade. Mesmo as razões invocadas de que o comércio naquela artéria não prosperou e que por isso o principal objectivo para a transformação em via de sentido único não vingou é enviesado, pois recordo que o principal objectivo foi devolver qualidade de vida. Que o digam os vizelenses que hoje podem passear e caminhar com serenidade naquela rua sem o intenso ruído e poluição gerada pelo movimento de veículos que incluía autocarros e camiões. Recordo ainda como foi necessário colocar dissuasores de estacionamento nos passeios para impedir que os veículos, na ausência de lugares de estacionamento, parassem em cima do passeio.

Ainda assim o comércio na rua Dr. Abílio Torres ganhou alguma dinâmica que não tem comparação com o que antes existia e só não mais prosperou, como também não prosperou todo o comércio vizelense. As razões são por isso outras e merecem também uma atenção próxima, mas são outra discussão bem mais complexa e que aqui não cabe. Ainda a comparação com a transferência de lojas do Forúm para as varandas do Fórum tem paralelo, mas as causas estão mal interpretadas. Entre outras razões esteve o valor do condomínio a que estavam obrigadas e na nova localização passaram a beneficiar de aparcamento à porta da loja e montra para rua ampla, moderna e movimentada em termos de veículos, sim, mas também, e isso é que é determinante, movimento de pessoas.

Fazer grandes obras é fácil, havendo financiamento adjudicam-se os estudos, o projeto e a execução e no fim recebe-se uma obra chave na mão. Em oposição é nas pequenas que se mede o engenho e criatividade para conceber e executar soluções de baixos recursos, mas com resultados imediatos e palpáveis.

Ora, vem isto a propósito de que a solução definitiva para a pressão de trânsito entre as Teixugueiras e a rotunda Guilherme Caldas Peixoto passa pela execução de uma circular nascente, contudo essa é uma obra que não está ao alcance da Câmara Municipal de Vizela e que necessita de financiamento do governo central, por isso têm que ser encontradas outras soluções ou um somatório de pequenas soluções.

Desde logo é necessário identificar quais as vias estruturantes na zona urbana e adequar a sinalização de maneira a fomentar hábitos que ajudem a dispersar o movimento. A via paralela à EN106 tem potencial para canalizar todo o trânsito proveniente da EN105 que se dirija para Felgueiras encaminhando-o pela futura ponte da Aliança até à EN101-3 em Santo Adrião, para isso é necessário que na rotunda de Infias esteja bem visível esta indicação com destino a Felgueiras. Deste modo uma parte, que presumo possa ser significativa deixará de circular nas zonas de maior pressão.

Com a mesma intenção deve ser colocada sinalização no início da paralela com indicação Vizela Centro de maneira a que essa seja a opção do trânsito com destino ao centro de Vizela, retirando-o da rotunda de Estanca Rio e da rotunda dos Bombeiros. Feito isto é necessário actuar e regular as manobras autorizadas ao trânsito entre esta última rotunda, a dos Bombeiros, e da rotunda Guilherme Caldas. Admito ser controverso, mas a minha opinião é de que as rotundas devem ser eliminadas, a menos que seja possível serem transformadas em rotundas de 2 faixas, o que duvido, e passar a imperar o princípio de apenas ser permitido virar à direita. Deste modo a maioria dos abrandamentos e pequenas paragens que provocam os engarrafamentos desaparecem, aliás é este princípio que já algumas empresas de logística recomendam aos seus motoristas para reduzir os tempos de percurso nos centros urbanos.

Em complemento as vias que ligam a rotunda Guilherme Caldas à VIM e esta via à rotunda pelo Continente e Lidl devem ser potenciadas de forma semelhante aos nós em forma de trevo nas auto-estradas. Por outro lado, as rotundas do Castelo e de Estanca Rio passam a funcionar como topos desta zona onde pode ser feita a inversão de marcha para alguns casos de mais complexa resolução. Não me alongarei mais aqui a explanar esta solução por tornar fastidiosa a leitura, apenas reforço que em Vizela, pela pequena dimensão não estamos habituados a sentidos de trânsito complexos, contudo todos temos a experiência do que acontece quando somos obrigados a conduzir em cidades maiores e isso acontece precisamente para poder regular fluxos de trânsito.

Finalmente, nesta equação tem que ser colocada outra via estruturante que é a Joaquim Pinto, ela retira o trânsito do centro histórico em direcção à rotunda do Castelo e que quando falha vai aumentar a pressão na rotunda dos bombeiros porque é por lá que o trânsito é obrigado a fluir.

Esta rua é muito movimentada para as suas dimensões e sofre actualmente de dois problemas; a saída à rua Dr. Abílio Torres que congestiona com facilidade e as paragens para entrada e saída de alunos à porta da escola primária que ali existe. O primeiro problema é fácil de solucionar pois esta rua deveria ter prioridade sobre a Dr. Abílio Torres isto porque a rua Joaquim Pinto é estruturante e a rua Dr. Abílio Torres neste modelo é simplesmente uma rua de circulação intra-urbana.

O problema da paragem para entrada e saída de alunos também pode ser minimizado impedindo o estacionamento do lado direito numa faixa em frente à escola e simultaneamente ao lado esquerdo criando uma plataforma exclusiva para entrada e saída de alunos.

Oxalá, como eu creio haver, o executivo tenha capacidade inventiva para não levar Vizela a um retrocesso que ninguém deseja, retrocesso que não é apenas qualitativo, é também económico pois o valor potencial dos imóveis da rua Dr. Abílio Torres aumentou com a implementação de via de sentido único e desvalorizará caso volte a ter dois sentidos.

JORGE MIRANDA