Origens do FADO passam também por Vizela?


O investigador José Alberto Sardinha defende que "O fado nasceu em Portugal a partir de um substrato comum a todo o território nacional que é o romanceiro tradicional" tendo ilustrado o seu livro "A Origem do Fado" com uma foto de Salvador Vilarinho que retrata músicos mendicantes em Vizela em 1920 agarrados à guitarra portuguesa e à viola. Considerando que o trabalho literário de Sardinha correu o mundo onde o fado é apreciado, esta será já uma das fotos mais famosas de Vizela. A referência de que Vizela também pode ter sido um dos berços do fado é super rica. Para os vizelenses que aprecisam a sua cultura musical, naturalmente!




O livro(acompanhado com quatro cd) tem poucas páginas e a referência direta a Vizela é a que a foto e a legenda dos músicos mendicantes apresenta.
Não deixa de ser uma investigação importante, sobretudo para os amantes do fado mas também para os vizelenses que vêem o nome da sua terra associado a esta obra e à canção nacional: o fado.

Segue-se o que publicou a imprensa a propósito deste livro e da discussão que originou.

AS ORIGENS DO FADO - José Alberto Sardinha

O investigador José Alberto Sardinha defende a origem portuguesa do fado, e não brasileira, num livro a apresentar na segunda-feira, dia 17 de Maio, em Lisboa, no Teatro Trindade pelas 18,30 horas. "O fado nasceu em Portugal a partir de um substrato comum a todo o território nacional que é o romanceiro tradicional. É este canto narrativo que dá origem ao fado", defendeu o autor em declarações à Lusa. O livro "A Origem do Fado", agora editado, é o resultado de uma investigação de 22 anos. José Alberto Sardinha realçou que "antes de ser um género musical, o fado é um texto poético, um poema narrativo", e situa a sua origem no século XVI. "Ainda hoje os fadistas afirmam que o fado tem de contar uma história, e essa é a origem nacional do fado: contar uma história que emocionasse primeiro o fadista e, através deste, a audiência", sustentou. "Na verdade, a origem do fado está naquilo que nós chamamos pejorativamente o 'fado da desgraçadinha' ou o 'fado de faca e alguidar'. Esse é que é o fado primitivo, a origem do fado", argumentou. Para o investigador, as origens do fado "situar-se-ão no século XVI quando se dá a passagem do romanceiro histórico para o romanceiro novalesco, como já Carolina Michaëlis o tinha referenciado sem fundamentar", disse. A tese defendida por José Alberto Sardinha contraria a vigente de que o fado tem origem no lundum e numa dança brasileira, a umbigada. "Ninguém até agora explicou porque chamavam fado àquela dança, e umbigadas há em várias partes", referiu. Sardinha reconhece que a sua tese poderá "parecer estranha" e que é "audaciosa porque é inovadora", mas garante que "está devidamente fundamentada, é coerente, lógica e tem sequência. Tal como está demonstrado, tudo encaixa". "Eu comparo o fado que é uma tradição oral com a restante tradição oral portuguesa e não vou buscar origens a outras partes", acrescentou. Na obra, o autor referencia a evolução desde o século XVI até às "canções narrativas do século XVIII" e destas ao fado, como é citado no século XIX, quando surgiu a Severa e até o rei D. Carlos o tocava. As primeiras notícias conhecidas são do começo do século XIX e surgem do Brasil.

JN - Onde é que o fado nasceu?

DN
José Alberto Sardinha defende a origem portuguesa do fado

José Alberto Sardinha e Rui Vieira Nery
Polémica: As origens do Fado
Jornal de Letras


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Fado é Português, diz José Alberto Sardinha

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