BE: "MAIS UM CASO DE RACIONAMENTO NOS HOSPITAIS DO SNS"

"Hospital de Guimarães só disponibiliza medicação de 15 em 15 dias, mesmo para doentes crónicos"



COMUNICADO DO BLOCO DE ESQUERDA

Em novembro, o Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre o facto de o Hospital de Guimarães estar a dispensar medicação com uma periodicidade muito reduzida (15 dias). Esta medida obriga as pessoas a dirigirem-se duas vezes por mês ao hospital para obterem a medicação de que necessitam, o que dificulta adesão à terapêutica, prejudica os utentes e fá-los arcar com custos de transportes que, para muitas, são difíceis de suportar.
Acresce que o horário da farmácia hospitalar é das 9h30 às 17h30, o que implica que muitas pessoas que trabalham tenham que faltar ao trabalho duas vezes por mês para poderem levantar os medicamentos. Se a medicação estiver esgotada, as pessoas têm que se deslocar novamente ao hospital dias depois, o que acarreta ainda mais transtorno e mais custos.

O Governo respondeu-nos agora confirmando “preferencialmente, e sempre que o caso clínico o permita, as cedências de medicamentos em ambulatório devem ser dadas para 15 dias”. No entanto, até há alguns meses, o Hospital de Guimarães dispensava medicação para períodos mais alargados.
O Bloco de Esquerda tem conhecimento de um caso de uma criança que sofre de uma doença rara e crónica (Hiperplasia Supra Renal Congénita), para a qual necessita tomar diariamente fludrocortisona. Até há pouco tempo, a medicação para esta criança era dispensada para 100 dias. Atualmente, o medicamento é disponibilizado apenas para quinze dias, o que causa evidente constrangimento às pessoas responsáveis pela criança, que não residem em Guimarães e que, de 15 em 15 dias, têm que se ausentar do trabalho e deslocar-se até ao hospital para levantar a medicação.

Na resposta enviada ao Bloco de Esquerda, é referido que, “desde que não provoque prejuízo ao doente, nomeadamente no que respeita à sua situação clínica (o Hospital de Guimarães) procede à cedência de medicamentos para um prazo mais alargado”. Esta afirmação não corresponde à realidade: no caso em apreço a criança tem uma doença crónica e vai sempre necessitar de tomar esta medicação que, mesmo assim, só é disponibilizada quinzenalmente.
Acresce que o Governo refere que a farmácia hospitalar garante dispensa de medicamentos “fora do seu período de funcionamento (9h00 às 17h30) para todos os doentes que não se possam deslocar (ao Hospital de Guimarães) neste período. No caso em apreço, nunca houve disponibilidade para dispensar a medicação noutro horário.

O Bloco de Esquerda considera este racionamento de medicação inaceitável: a dispensa de medicamentos deve ser feita de acordo com a prescrição médica compatibilizando-a com as necessidades dos utentes de modo a promover a adesão à terapêutica.

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