O evento acolheu os grupos ligados à pastoral da caridade de todas as 77 paróquias do Arciprestado de Guimarães e Vizela, agentes sócio-caritativos, dirigentes, técnicos e voluntários e inúmeros sacerdotes.
O Bispo Auxiliar de Braga, D. Nelio Pita encerrou o encontro com breves palavras salientando que a Caridade é o setor mais fraco contemporâneo convidando todos os agentes de bom coração a reforçar esta área, dando exemplo de filantropos internacionais como a Madre Teresa de Calcutá entre outros.
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| Padre Cândido Magalhães |
Para o padre João Torres, a quem coube explanar as diretrizes que reproduzimos abaixo e foram distribuídas em folhas pelos presentes, usou da palavra a coordenadora executiva da Cáritas Arciprestal Guimarães-Vizela, Joana Filipa Fernandes Lopes que, tal como o seu antecessor focou resumidamente o que é realizado pela Caritas e o muito que ainda há a fazer.
Para além de D. Nelio Pita (que no próximo fim de semana volta a Vizela para, durante nte três dias efetuar uma visita pastoral às paróquias de S.Miguel, Tagilde, Infias e S. Paio, marcando inclusive presença na inauguração da nova sede da AIREV), o Encontro da Caridade contou com a presença do arcipreste Samuel Vilas Boas, do pároco anfitrião, P. Cândido Magalhães, do futuro pároco (toma posse este domingo) de S. João das Caldas e S. Paio, Ricardo Azevedo, do padre Daniel, pároco de Moreira de Cónegos e Conde, do padre Francisco Xavier de Nespereira, Polvoreira e Tabuadelo entre outros sacerdotes.
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| D. Nelio no uso da palavra. |
Os temas que foram apresentados como "desafios" para as 77 paróquias do Arciprestado Guimarães/Vizela foram os seguintes:
VISITA PASTORAL AO ARCIPRESTADO DE GUIMARÃES E VIZELA
A CARIDADE CRISTÃ: quando o outro deixa de ser um caso e passa a ser um rosto
Sintese da Conferência para Agentes Socio-caritativos, Dirigentes, Técnicos e Voluntários.
77 Comunidades Símbolo: A Oliveira. Um só caminho: Ver, Aproximar, Cuidar.
1. A CARIDADE NÃO É O QUE FAZEMOS, É O QUE SOMOS
Estamos habituados a recensear estruturas: Centros Sociais, Conferências Vicentinas, IPSS e valências. Tudo isto é essencial, mas há uma pergunta anterior e mais exigente: Que tipo de pessoas somos nós quando encontramos alguém que sofre? Podemos ter instituições organizadas de forma exemplar e, simultaneamente, perder a alma da caridade. O trabalho pode ser cumprido com eficiência técnica, mas sem olhar nos olhos.
A reflexão do jesuíta Paul Valadier alerta para a tentação de transformar a caridade numa gestão organizada da pobreza. Quando isso acontece, a pessoa perde o nome e converte-se numa categoria administrativa: o doente passa a diagnóstico, o idoso a vaga, o preso a número, o toxicodependente a caso, a familia a agregado e a solidão a estatistica. No Evangelho, Jesus nunca encontrou categorias; encontrou rostos e pessoas concretas (Zaqueu, Bartimeu, a Samaritana, o Paralítico, a Viúva). Jesus não perguntava primeiro o que a pessoa tinha feito, mas sim o que the estava a acontecer.
2. "VI UM HOMEM..." - O CORAÇÃO DA MISSÃO CRISTĀ
A chave teológica fundamental da ação caritativa assenta na declaração evangélica: Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes (Mt 25, 40). Aquele que se apresenta diante de nós não é um mero destinatário de serviços ou objeto da nossa intervenção, mas Aquele em quem o próprio Cristo nos vem ao encontro.
Se acreditamos verdadeiramente nisto, o frágil deixa de ser um problema a resolver e passa a ser um mistério a acolher. Na verdade, não somos nós que salvamos os pobres: são muitas vezes eles que nos salvam da nossa própria indiferença..
3. O PERIGO DE FAZER O BEM SEM NOS DARMOS
Pode dar-se apoio material, financiar projetos ou entregar cabazes a uma distância assética e sem verdadeira proximidade. Contudo, como denunciou o Papa Francisco, a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de atenção espiritual. Não se pode cuidar do corpo esquecendo a alma, nem garantir uma cama esquecendo a solidão e o medo de quem nela se deita. Olhar para o preso, para o jovem desorientado ou para quem caiu nas dependências exige ver além do erro, garantindo a dignidade e a esperança de um recomeço.
5. A OLIVEIRA: CUIDADO INTEGRAL DA CASA COMUM
A oliveira, simbolo desta Visita Pastoral e ícone do compromisso com a Capital Verde Europeia, recorda-nos que cuidar da Casa Comum é indissociável de cuidar de quem sofre à sua sombra. Uma comunidade madura lança raizes profundas no Evangelho para produzir frutos consoladores de humanidade, justiça e acolhimento.
6. CINCO DESAFIOS CONCRETOS PARA AS 77 COMUNIDADES
1. Reaprender a Ver (Mapear os Invisíveis)
Substituir as abstrações por nomes concretos. Identificar quem são os invisíveis do território: os idosos sós, os doentes sem visita, os recém-saídos da prisão sem acolhimento, os desempregados, os enlutados e os que perderam a esperança.
2. Passar da Assistência à Relação
Um cabaz ou um subsidio resolvem dificuldades imediatas, mas apenas uma relação humana e continuada é capaz de salvar uma vida. Dar tempo e escuta atenta tem um valor transformador superior ao simples apoio material.
3. Cuidar Também da Alma
Superar o receio de testemunhar a fé e rezar com quem sofre. Perguntar com compaixão e respeito: -Como estás por dentro?». A resposta cristã deve abraçar a totalidade da pessoa - corpo, mente e espírito.
4. Cuidar de Quem Cuida
Prevenir o esgotamento (burnout) de direções, técnicos, sacerdotes, vicentinos e voluntários. É indispensável criar espaços comunitários de pausa, oração, partilha e escuta mútua para reabastecer as fontes da compaixão.
5. Trabalhar em Rede Arciprestal e Diocesana
Guimarães e Vizela têm 77 comunidades. Não precisamos de 77 respostas isoladas para o mesmo problema. Precisamos de comunidades que se conheçam. Precisamos de uma rede. Não para burocratizar a caridade. Mas para que ninguém fique sozinho. Trabalhar com a Arquidiocese em iniciativas como os ofertórios consignados e especiais, a apresentação dos cartazes aquando das festas, o Fundo Partilhar com Esperança, o Projeto Salama! Apadrinhamento e outras formas de partilha têm sentido quando são vividas não como obrigações, mas como expressões concretas de uma Igreja que se reconhece responsável pelos outros.
SÍNTESE FINAL: DAR-SE MAIS DO QUE DAR
A caridade cristã não é compaixão passiva, paternalismo ou propaganda institucional: é uma forma de vida profundamente eucarística (Isto é o meu Corpo, entregue por vós»). Não se reduz a dar coisas; exige a doação da própria vida."
Visita Pastoral 2026. Arciprestado de Guimarães e Vizela.
Padre Ricardo Azevedo










