Comunicado BE de Vizela: Ábate de árvores rua da Vinha

Após a denúncia do que consideramos ser um atentado ambiental na Rua da Vinha (junto à Igreja de S. Miguel), o Núcleo de Vizela do Bloco de Esquerda vem manifestar o seu desagrado sobre a postura de fuga e deflexão ao escrutínio adotada pelo Executivo Camarário.

Em declarações proferidas ao RV Jornal, o Presidente da Câmara Municipal de Vizela, Dr. Victor Hugo Salgado, reagiu de forma tática mas previsível à denúncia do Bloco de Esquerda, acusando o partido de se recusar ao diálogo por ter declinado uma "reunião de trabalho".

O Núcleo de Vizela do Bloco de Esquerda esclarece desde já que, perante as 6 perguntas diretas enviadas pelo Bloco sobre a destruição da mancha verde e a total impermeabilização do solo, a primeira e única resposta do Presidente da Câmara foi tentar remeter o assunto para "banho-maria", convidando o Bloco para a já referida reunião. Em resposta, o Bloco de Esquerda recusou categoricamente, esclarecendo que o património ambiental de Vizela é de manifesto interesse público e que as explicações têm de ser dadas por escrito e de forma transparente a toda a comunidade, não em gabinetes fechados. 

Queremos deixar claro aos vizelenses que o nosso compromisso é com o estrito cumprimento da lei, o direito à informação e a preservação do património ecológico de Vizela. Consideramos que o verdadeiro "trabalho político" faz-se com transparência e escrutínio público, não com diplomacia de bastidores ou em conversas informais de gabinete para abafar polémicas.

Se o Executivo Municipal alega que o assunto "foi encaminhado para os serviços técnicos", a confissão é grave. Nos termos da Lei n.º 59/2021 (Regime Jurídico do Arvoredo Urbano), os relatórios fitossanitários e os pareceres que justificam o abate de árvores saudáveis e consolidadas têm de existir antes da intervenção, e não ser fabricados à pressa depois de a obra estar feita. Se os relatórios existem, por que razão a Câmara não os enviou imediatamente por escrito? Qual é o medo de colocar os pareceres públicos "preto no branco" à disposição de todos os cidadãos no site do Município?

Parece que o Executivo Municipal levou o espírito da "Vizela Romana" do último fim de semana demasiado à letra, tratando o escrutínio público como um autêntico "fórum" de calçada estéril, onde a única sombra que resta é a da opacidade da própria autarquia.

A prova inequívoca desta estratégia de abafamento e silêncio total aconteceu na Reunião de Câmara do passado dia 9 de junho. Confrontado implicitamente pela urgência do tema, o Executivo Municipal optou por ignorar completamente o assunto. Mas o silêncio mais ensurdecedor veio da própria oposição com assento na autarquia: o vereador eleito pela Coligação Mais Vizela (PSD, CDS-PP, IL), que tinha o dever e o palco institucional para dar voz à indignação dos vizelenses, optou pela passividade e pelo mais absoluto conformismo, nada dizendo sobre este assunto. Quando a oposição oficial se demite das suas funções, Vizela fica entregue ao alvedrio da maioria absoluta.

O Bloco de Esquerda não pactuará com este silêncio cúmplice e com a política do facto consumado. Caso o Executivo Camarário continue nesta fuga para a frente, relativamente ao escrutínio, avançaremos com uma denúncia formal junto da IGAMAOT (Inspeção-Geral do Ambiente) e da CCDR-N para apurar a legalidade deste abate e exigir a fiscalização do estrito cumprimento da Lei n.º 59/2021 (Regime Jurídico do Arvoredo Urbano).

Se o Dr. Victor Hugo Salgado esconde os pareceres técnicos que ditaram a morte daquelas árvores (aparentemente) saudáveis, terá de os apresentar perante as instâncias de fiscalização do Estado. Os 70% de votos não são um cheque em branco para reduzir as áreas verdes de Vizela, à margem da lei. Não será pela ausência de deputados ou vereadores do Bloco de Esquerda que deixaremos de ser a voz da ecologia, da transparência e do respeito pelo património comum de Vizela.


Vizela, 12 de junho de 2026

O Núcleo de Vizela do Bloco de Esquerda


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