Na inauguração decorrida no passado dia 31 de outubro, da requalificação da Rua da Vinha e Rua das Casas do Senhor, tanto o Presidente da Câmara, como o Presidente da União de Freguesias de Caldas de Vizela, tentaram construir uma narrativa de conveniência para desvalorizar a denúncia do Bloco de Esquerda, recorrendo ao ataque político e a justificações em cima do joelho, em vez da devida transparência documental.
O Presidente da Câmara, Victor Hugo Salgado, acusou a oposição de fazer "política através de inteligência artificial" e referiu "relatos de quedas" e "ganho de estacionamento" para justificar a obra. No entanto, a única "inteligência" em dúvida é a da própria autarquia, no que diz respeito ao desenho urbano e na gestão do património público:
O número de árvores de grande porte cortadas foram 5, e não 3. Basta uma simples consulta através do Google Maps, para verificar, de modo inequívoco, que havia pelo menos 5 árvores de grande porte naquele local.
Quanto ao referido ganho no estacionamento, na prática este revela-se bastante residual, já que a disposição dos lugares se manteve inalterada. Porém, veremos se este novo desenho urbano, desequilibrado, não tornará propenso o estacionamento abusivo em cima da calçada de granito. Em vez de se ter criado uma melhor acessibilidade com as devidas condições de segurança para a circulação de peões, poderá transformar-se numa ocupação irregular por viaturas.
A existência de relatos informais sobre a queda de pessoas devidas ao estado irregular do passeio, ou da possível existência de raízes à superfície, bem como os proclamados possíveis problemas de segurança causados pela "dimensão" e "estado de deterioração" das árvores existentes, não justificam um abate cego e radical sem a elaboração de um parecer técnico ou avaliação fitossanitária formal. A destruição de património natural deve ser o último recurso.
Comparar árvores adultas, de grande porte, com copas consolidadas que asseguravam uma vasta sombra, retenção de água e regulação térmica, com quatro varas recém-plantadas que não são capazes de fazer sombra a uma criança, é insultar a inteligência dos vizelenses. Uma copa madura e vasta leva décadas a formar-se e nunca pode ser substituída por meros pés jovens, ainda com a agravante de estarem numa caldeira reduzida, o que fará com que o seu crescimento seja bastante limitado, e muito provavelmente incapaz de proporcionar uma sombra digna e proveitosa.
Torna-se bastante difícil de acreditar que a autarquia tenha procedido à impermeabilização de toda a área de intervenção a um ritmo recorde, sem deixar uma única abertura para futuras caldeiras, com o intuito de as vir a fazer, meses mais tarde.
Por sua vez, o Presidente da União de Freguesias de Caldas de Vizela, José Armando Branco, acusou quem critica de "sofrer de miopia" por "ver as árvores, mas não ver a floresta". Pois então, respondemos à letra: a única floresta que este executivo é capaz de ver, é a de sucessivas obras de impermeabilização sistemática dos solos urbanos, que fragilizam a resiliência climática da nossa cidade.
O Bloco de Esquerda não faz política à distância; faz fiscalização rigorosa, fundamentada e no terreno. Continuaremos a aguardar pela revelação dos relatórios fitossanitários que deviam ter fundamentado legalmente o abate antes de a serra elétrica entrar em ação.
A urgência climática e a qualidade de vida urbana em Vizela exigem um planeamento sério e proteção do património natural, e certamente que dispensa manobras de ilusionismo e desperdício de fundos públicos no "faz e desfaz".
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Vizela, 6 de novembro de 2026
O Núcleo de Vizela do Bloco de Esquerda

