JÚLIO CÉSAR "Continuo a procurar postais ilustrados de Vizela"

JULIO CESAR FERREIRA
Júlio César Ferreira, vizelense conhecido pelas suas pesquisas e gosto pela fotografia sobre temas de Vizela, conta com perto de 500  Bilhetes Postais Ilustrados (BPI) sobre a sua terra. Cada postal tem uma história associada. Desafiamos Júlio César a contar periodicamente aqui no ddV as histórias mais relevantes de cada postal, mas antes disso quisemos saber de onde nasceu o gosto desse coleccionismo e o há ainda a fazer resistir os bilhetes postais quando a internet tudo alcançou e hoje já poucas ou nenhumas pessoas escrevem bilhetes postais ilustrados.


- De onde veio essa vontade de coleccionares postas de Vizela?
– Esta vontade de “juntar” BPI (Bilhetes Postais Ilustrados), começou com a luta de Vizela, nos inícios dos anos 80 do século passado, como forma de lutar contra todos aqueles que, de uma forma nada elegante, diziam que Vizela não tinha história. A minha primeira exposição de fotografia, na Casa do Povo de Vizela, foi precisamente sobre Vizela Antiga, em 1984.
JULIO CESAR FERREIRA

- Quantos postais tens na tua coleção?
- Deve ter cerca de 480. Alguns são ligeiramente semelhantes, fotografados nos mesmos locais. Diferem somente em pormenores, ou por estarem selados e endereçados e escritos, o que nos permite “fazer” a sua história e a história de Vizela.

- Onde foram conseguidos?
- Normalmente nas feiras de coleccionismo, Feiras de Cartofilia (que é a categoria onde se inserem os BPI) ou por contacto directo com muitos Cartofilistas um pouco por todo o país, de quem já sou amigo de muitos deles.

- Achas que ainda há muitos postais antigos de Vizela à venda fora do concelho?
- Já não haverá muitos à venda fora do concelho e os que poderá haver, quer em sites próprios (porque agora toda a gente quer ganhar dinheiro), são muito caros e já me retrais um pouco. Talvez daqui a uns anos...
JULIO CESAR FERREIRA

- Quanto te custou o postal mais caro? Quanto pode valer um postal raríssimo?
- O Postal mais caro que tenho (agora não seria tão “generoso”) custou – me na altura 48 contos ou seja 240 euros. Um BPI raro e em boas condições pode custar uma pequena fortuna, na ordem das centenas de euros.
Depende da raridade, do estado de conservação, se está ou não selado, se tem pessoas em primeiro plano, se tem pessoas conhecidas, por exemplo um postal da Ponte D. Luís no Porto terá um determinado valor, mas mesma ponte, com um automóvel em cima, já poderá ter outro. Um exemplo: Um grande Cartofilista de Lisboa, infelizmente já falecido, de quem fui amigo, há cerca de trinta anos, numa exposição - venda na Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, tinha para venda um postal do Hitler que custava 300 contos ou seja 1500 euros. E nesse dia, antes do final da feira, vendeu – o. A uma senhora, espanhola...

- Há algum postal de Vizela que ainda não tenhas e gostarias de ter?
- Há um postal sobre o nosso S. Bentinho, que não consegui comprar. Existem 3, que eu saiba e eu tenho dois...

- Quem se dedicava a fazer os postais ilustrados de Vizela?
- Os Postais Ilustrados começaram a ser usados em 1869, como forma de comunicação entre as pessoas, quer em férias, quer em visitas a esta ou aquela localidade. Eram feitos, normalmente por entidades particulares ou empresas turísticas, dando a conhecer as potencialidades de cada uma das terras fotografadas. Por isso, Vizela tem uma colecção vastíssima de postais ilustrados com edições da Companhia de Banhos, do Hotel – Sul-americano, de Jerónimo Saraiva, da Confeitaria Costa, de Joaquim Pereira da Costa, do Café Universal, da Livraria Lemos de Guimarães, da Papelaria Académica do Porto, da Union Postale Internationale, do Grande Hotel Cruzeiro do Sul, A Primoroso, José Cardoso Pães, de fotógrafos portugueses consagrados como Emilio Biel, Aurélio Paz dos Reis, Sanches de Baena, Carlos Relvas e até o “nosso” Dr. Alfredo Bravo.

- Com a internet o hábito de se escrever a familiares e amigos via carta e ou postal ilustrado diminuiu drasticamente. Isto pode matar de vez os postais no futuro?
- É evidente que a era digital veia dar uma forte machadada, nesta nobre arte que é a Cartofilia, dada a facilidade como hoje se obtém uma foto e no mesmo momento a partilhar. È uma das “mortes anunciadas”.

- Há algum postal de Vizela que gostes em especial?
- Há vários. Principalmente alguns, pintados à mão, sobre o Rio, a Ponte Romana e o Parque das Termas.
JULIO CESAR FERREIRA

- Ainda continuas a procurar postais?
- Sempre. Muitas vezes compro, mesmo que já possua, porque servem para oferecer a um amigo ou para trocar com outros coleccionadores.

- Já há algum tempo que não são elaborados novos postais de Vizela. Hoje há mais ou menos motivos para os fazer?
- Uma das primeiras coisas que faço sempre que visito alguma terra, é procurar postais ilustrados. São estes que nos dizem o que devemos e quais os locais a visitar e a conhecer.


 - A quem gostarias de deixar um dia o teu espólio sobre Vizela (livros, postais, fotos, etc)?
- O meu espólio já tem destinatário. Está prometido. As minhas fotos que são umas boas dezenas de milhar, os meus postais cerca de 480 (só sobre Vizela) e os meus livros (perto de 2 mil, incluindo perto de uma centena sobre Vizela) são para o Lucas (neto). Ele já me prometeu que não vende nada. ddV

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