António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, aos 83 anos, confirmou o Expresso. Considerado um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea, construiu ao longo de mais de quatro décadas uma obra singular, marcada por uma linguagem intensa, pela memória da guerra colonial e por uma exploração profunda da condição humana.
Nascido em Lisboa em 1942, formou-se em Medicina e foi mobilizado como médico militar para Angola durante a Guerra Colonial, experiência que marcou decisivamente a sua escrita. Estreou-se na literatura em 1979 com “Memória de Elefante”, publicado no mesmo ano em que saiu “Os Cus de Judas”, romance que rapidamente o afirmou como uma das vozes mais poderosas da ficção portuguesa.
A sua obra, traduzida em várias línguas, inclui títulos como “Conhecimento do Inferno”, “Manual dos Inquisidores”, “Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo” ou “Eu Hei-de Amar uma Pedra”. Ao longo de mais de quatro décadas, construiu um universo literário próprio, marcado por narrativas fragmentadas, múltiplas vozes e uma escrita exigente que renovou a ficção portuguesa.
Autor de mais de três dezenas de romances, Lobo Antunes foi durante décadas apontado como um eterno candidato ao Prémio Nobel da Literatura. Apesar de anunciar várias vezes que deixaria de escrever, regressava sempre ao trabalho.
IN EXPRESSO
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